Voltar

Cachorro da raça Golden Retriever cheirando um pedaço de cará cozido em uma tigela de madeira, com um olhar curioso e feliz.

/ 12 minutos de leitura

Última atualização:

Cachorro pode comer cará? Descubra a verdade sobre esse tubérculo na dieta canina

Eu sou a Patricia e, ao longo de mais de uma década dedicando minha vida aos cães, percebi que uma das maiores preocupações dos tutores é a alimentação. É natural, afinal, o que colocamos no prato dos nossos peludos impacta diretamente a saúde e o bem-estar deles. Vejo muitos tutores, como você, buscando alternativas naturais e nutritivas para a ração, e é aí que surgem dúvidas sobre alimentos que comemos, como o cará.

Minha Magali e meu Tuta, meus dois companheiros de quatro patas, já me inspiraram a pesquisar a fundo sobre diversos alimentos, e o cará é um que frequentemente aparece nas perguntas que recebo. É uma raiz tuberosa deliciosa e nutritiva para nós, humanos, mas será que oferece os mesmos benefícios para nossos amigos caninos? A resposta não é um simples sim ou não, e é exatamente isso que quero desmistificar com você hoje. Vamos mergulhar nos detalhes para entender se o cachorro pode comer cará de forma segura e quais os cuidados essenciais.

Cachorro pode comer cará: entendendo o tubérculo

Antes de falarmos sobre a inclusão do cará na dieta canina, é importante entender o que é esse alimento. O cará, cientificamente conhecido como Dioscorea alata ou Dioscorea cayenensis, dependendo da variedade, é um tubérculo parente do inhame. É rico em carboidratos complexos, fibras, vitaminas e minerais. No Brasil, ele é bastante popular, especialmente em algumas regiões, e faz parte da culinária tradicional. Sua textura é macia e seu sabor, suave, o que o torna um ingrediente versátil na nossa cozinha.

Para nós, o cará é uma excelente fonte de energia e nutrientes. Contém vitaminas do complexo B, vitamina C, potássio, fósforo e manganês. As fibras presentes auxiliam no bom funcionamento do intestino, e os carboidratos complexos garantem energia de liberação lenta, evitando picos de glicose. No entanto, o sistema digestivo dos cães é diferente do nosso, e isso é um ponto crucial a ser considerado. O que é bom para um, nem sempre é bom para o outro.

Benefícios potenciais do cará para cães (com moderação)

Se preparado corretamente e oferecido com moderação, o cará pode, sim, trazer alguns benefícios para a saúde dos cães. A chave aqui é “preparado corretamente” e “moderação”.

Fonte de energia e carboidratos complexos

Os cães precisam de energia para suas atividades diárias, e os carboidratos são uma de suas principais fontes. O cará, sendo rico em carboidratos complexos, libera energia gradualmente, o que pode ser benéfico para cães ativos. Diferentemente de carboidratos simples, que causam picos e quedas rápidas de energia, os complexos mantêm os níveis de glicose mais estáveis, contribuindo para uma energia mais constante ao longo do dia. Isso pode ser interessante para cães que praticam esportes ou têm uma rotina mais agitada, sempre como um complemento e nunca como a base da dieta.

Fibras para a saúde digestiva

As fibras são essenciais para o bom funcionamento do intestino. Elas ajudam na formação do bolo fecal, prevenindo tanto a diarreia quanto a constipação. Um intestino saudável é fundamental para a absorção de nutrientes e para a manutenção de um sistema imunológico forte. O cará contém uma quantidade razoável de fibras solúveis e insolúveis, que podem auxiliar na regulação intestinal do seu pet. No entanto, o excesso de fibras pode ter o efeito oposto, causando gases, inchaço e desconforto abdominal.

Vitaminas e minerais

O cará é uma fonte de algumas vitaminas e minerais importantes, como a vitamina C, vitaminas do complexo B, potássio e manganês. A vitamina C é um antioxidante que ajuda no sistema imunológico, embora os cães produzam sua própria vitamina C, um pequeno reforço de fontes naturais pode ser bem-vindo. As vitaminas do complexo B são cruciais para o metabolismo energético, e o potássio é vital para a função muscular e nervosa. No entanto, é importante lembrar que a ração de boa qualidade já oferece todos esses nutrientes nas proporções adequadas, então o cará seria apenas um complemento e não um substituto.

Riscos e precauções: quando o cachorro não pode comer cará

Apesar dos potenciais benefícios, existem riscos e precauções importantes que você, como tutor, precisa conhecer antes de oferecer cará ao seu cão. A segurança alimentar do seu pet deve ser sempre a prioridade.

Cará cru: um perigo para os cães

O cará cru contém substâncias chamadas saponinas e oxalatos de cálcio. Essas substâncias são tóxicas e podem causar irritação severa na boca, garganta e sistema digestivo dos cães. Os sintomas de ingestão de cará cru incluem salivação excessiva, vômitos, diarreia, dor abdominal e, em casos mais graves, dificuldades respiratórias e problemas renais. Por isso, nunca, em hipótese alguma, ofereça cará cru ao seu cachorro. A cocção adequada é fundamental para neutralizar essas toxinas e tornar o alimento seguro.

Preparo inadequado e temperos

Se você decidir oferecer cará ao seu cão, o preparo é a chave. O cará deve ser sempre cozido, sem sal, sem óleo, sem temperos e sem nenhum tipo de condimento. Alimentos como cebola, alho, pimenta e outros temperos que usamos na nossa comida são tóxicos para os cães e podem causar problemas sérios de saúde, incluindo anemia e danos hepáticos. O ideal é cozinhar o cará apenas em água, até que fique bem macio, e depois amassá-lo ou cortá-lo em pequenos pedaços.

Potencial alergênico e sensibilidade alimentar

Assim como qualquer novo alimento, o cará pode causar reações alérgicas ou sensibilidade em alguns cães. Os sinais de uma reação alérgica incluem coceira, vermelhidão na pele, inchaço (principalmente na face), vômitos e diarreia. Se você notar qualquer um desses sintomas após oferecer cará ao seu cão, suspenda imediatamente o alimento e procure um veterinário. Ao introduzir um alimento novo, comece com uma quantidade muito pequena e observe seu pet por 24 a 48 horas. É aquela regrinha de ouro que sempre aplico aqui em casa, observando como Magali e Tuta reagem a cada novidade.

Excesso de carboidratos e ganho de peso

O cará é rico em carboidratos. Embora sejam uma fonte de energia, o consumo excessivo pode levar ao ganho de peso e à obesidade, especialmente em cães com um estilo de vida mais sedentário. A obesidade em cães está associada a uma série de problemas de saúde, como diabetes, doenças cardíacas e problemas articulares. Por isso, a moderação é fundamental. O cará deve ser tratado como um petisco ocasional e não como parte da refeição principal.

Como oferecer cará de forma segura ao seu cachorro

Se você decidiu que quer incluir o cará na dieta do seu cão, lembre-se que a segurança vem em primeiro lugar. Siga estas orientações para garantir que seu pet possa desfrutar desse alimento sem riscos.

Cozimento adequado: a regra de ouro

Como mencionei, o cará deve ser sempre cozido. Cozinhe o cará em água pura até que ele fique completamente macio. Evite fritar ou assar com óleos e temperos. O cozimento neutraliza as toxinas e torna o tubérculo digerível para os cães. Depois de cozido, espere esfriar completamente antes de oferecer. Nunca sirva alimentos quentes ao seu cão, pois isso pode queimar a boca e o esôfago.

Porções e frequência

O cará deve ser oferecido em pequenas quantidades e com pouca frequência. Pense nele como um petisco especial, não como um alimento diário. Uma ou duas colheres de chá de cará amassado para cães pequenos, e uma ou duas colheres de sopa para cães maiores, algumas vezes por semana, é uma boa diretriz. Lembre-se da regra dos 10%: os petiscos não devem representar mais de 10% da ingestão calórica diária do seu cão. Converse com seu veterinário para determinar a porção ideal para o porte, idade e nível de atividade do seu pet.

Preparo simples e puro

Depois de cozido e resfriado, o cará pode ser oferecido amassado (como um purê) ou cortado em pequenos cubos. Certifique-se de que não há pedaços grandes que possam causar engasgos, especialmente para cães que comem muito rápido. Não adicione nenhum tipo de tempero, sal, manteiga, óleo ou leite. O cará deve ser puro para o seu cão.

Alternativas saudáveis ao cará para cães

Se você está em busca de vegetais seguros e nutritivos para complementar a dieta do seu cão, existem muitas outras opções que podem ser ainda mais vantajosas e mais fáceis de preparar. Aqui estão algumas das minhas favoritas:

Batata doce

A batata doce é uma excelente alternativa ao cará. Também rica em carboidratos complexos e fibras, além de ser uma ótima fonte de vitamina A. Assim como o cará, deve ser cozida sem temperos e oferecida com moderação. Muitos cães adoram o sabor adocicado da batata doce, e ela costuma ser bem digerida.

Abóbora

A abóbora é um superalimento para cães. Rica em fibras, vitaminas A e C, e minerais. É excelente para a saúde digestiva e pode ajudar a regular o intestino, sendo frequentemente recomendada para cães com diarreia ou constipação. Pode ser oferecida cozida e amassada, sem temperos. É uma das favoritas do Tuta, que sempre fica de olho quando estou preparando abóbora na cozinha.

Cenoura

As cenouras são um petisco crocante e saudável. Ricas em vitamina A e fibras, são ótimas para a saúde dos olhos e para os dentes, pois a mastigação ajuda a remover o tártaro. Podem ser oferecidas cruas (em pedaços pequenos) ou cozidas. São de baixo teor calórico, o que as torna uma boa opção para cães que precisam controlar o peso.

Brócolis e couve-flor

Em pequenas quantidades, brócolis e couve-flor cozidos e sem tempero podem ser oferecidos. Eles são ricos em vitaminas e fibras. No entanto, o excesso pode causar gases em alguns cães, então a moderação é ainda mais importante aqui.

Sinais de alerta e quando procurar um veterinário

Mesmo com todos os cuidados, é fundamental estar atento a qualquer sinal de que seu cão não está bem após ingerir cará ou qualquer outro alimento novo. O bem-estar do seu pet é sempre a prioridade.

Sintomas de desconforto digestivo

Se o seu cão apresentar vômitos, diarreia, letargia, perda de apetite, dor abdominal (ele pode se curvar ou gemer ao ser tocado na barriga) ou salivação excessiva após consumir cará, procure um veterinário imediatamente. Esses podem ser sinais de intolerância alimentar, reação alérgica ou, no pior dos cenários, de intoxicação se o cará não foi preparado corretamente.

Reações alérgicas

Além dos sintomas digestivos, as reações alérgicas podem se manifestar com coceira intensa, vermelhidão na pele, inchaço (especialmente ao redor dos olhos, boca ou patas) e urticária. Em casos mais graves, pode ocorrer dificuldade respiratória, que é uma emergência veterinária e exige atendimento imediato.

A importância da consulta veterinária

Sempre, antes de introduzir qualquer alimento novo na dieta do seu cão, especialmente se ele tiver alguma condição de saúde preexistente, consulte seu veterinário. O profissional poderá avaliar o histórico do seu pet, seu estado de saúde atual e suas necessidades nutricionais específicas, oferecendo orientações personalizadas. O que funciona para um cão pode não funcionar para outro, e a opinião de um especialista é insubstituível.

Conclusão: o cará na dieta canina, com cautela e informação

Então, cachorro pode comer cará? Sim, mas com muitas ressalvas e cuidados. O cará, quando cozido e oferecido em pequenas quantidades, pode ser um petisco ocasional e nutritivo para o seu cão, fornecendo carboidratos complexos, fibras, vitaminas e minerais. No entanto, o cará cru é tóxico e o preparo inadequado, com temperos, ou o excesso de consumo podem trazer sérios riscos à saúde do seu pet.

Minha experiência de mais de 10 anos me ensinou que a alimentação é um pilar fundamental para a longevidade e qualidade de vida dos nossos amigos de quatro patas. E essa alimentação deve ser baseada em conhecimento e responsabilidade. Ao invés de arriscar, sempre opte por alimentos comprovadamente seguros e benéficos, e nunca hesite em buscar a orientação de um veterinário. Lembre-se: seu cão confia em você para tomar as melhores decisões para a saúde dele. E eu estou aqui para te ajudar a fazer isso da melhor forma possível, com carinho e informação.

Perguntas Frequentes

Cará cru é tóxico para cães?

Sim, o cará cru contém substâncias como saponinas e oxalatos de cálcio, que são tóxicas para cães e podem causar irritação severa no sistema digestivo, vômitos, diarreia e outros problemas de saúde. Nunca ofereça cará cru ao seu pet.

Como devo preparar o cará para meu cachorro?

O cará deve ser cozido em água pura até ficar bem macio. Não adicione sal, óleo, manteiga, temperos ou qualquer outro condimento. Após o cozimento, espere esfriar completamente e ofereça amassado ou em pequenos pedaços.

Qual a quantidade de cará que posso oferecer ao meu cão?

O cará deve ser um petisco ocasional e em pequenas quantidades. Para cães pequenos, uma ou duas colheres de chá; para cães maiores, uma ou duas colheres de sopa, algumas vezes por semana. Os petiscos não devem exceder 10% da ingestão calórica diária.

Quais os benefícios do cará para cães?

Quando cozido e em moderação, o cará pode ser uma fonte de carboidratos complexos para energia, fibras para a saúde digestiva e algumas vitaminas e minerais, como vitamina C e potássio. Ele atua como um complemento nutritivo.

Quais os riscos de dar cará ao cachorro?

Os riscos incluem toxicidade se for oferecido cru, problemas digestivos (vômitos, diarreia, gases) se em excesso ou mal preparado, e potencial de ganho de peso devido ao alto teor de carboidratos. Pode também causar alergias em cães sensíveis.

Existem alternativas mais seguras ou melhores que o cará?

Sim, existem muitas alternativas seguras e nutritivas. Batata doce, abóbora, cenoura, brócolis e couve-flor (todos cozidos e sem tempero) são excelentes opções que oferecem benefícios semelhantes ou superiores, e são geralmente bem aceitos pelos cães.

Preciso consultar um veterinário antes de dar cará ao meu cão?

Sim, é sempre recomendado consultar um veterinário antes de introduzir qualquer alimento novo na dieta do seu cão, especialmente se ele tiver alguma condição de saúde. O profissional pode oferecer orientações personalizadas para o seu pet.

Fontes e Referências

Posts Relacionados

Um cachorro da raça golden retriever olhando curiosamente para um pequeno pedaço de queijo cottage em uma tigela.

Cachorro pode comer queijo?

Cachorro pode comer queijo? Descubra os riscos, benefícios e quais tipos de queijo são seguros para seu cão. Saiba como oferecer de forma consciente.

Cachorro da raça golden retriever olhando curiosamente para uma tigela de castanhas de caju na mesa da cozinha.

Cachorro pode comer castanha de cajú?

Cachorro pode comer castanha de caju? Descubra os riscos, benefícios e por que este petisco não é ideal para seu cão. Saiba como proteger seu amigo!

Um cachorro beagle da raça Magali curioso, olhando para um tamarindo em uma mesa de madeira.

Cachorro pode comer tamarindo?

Cachorro pode comer tamarindo? Descubra os riscos e benefícios dessa fruta exótica para seu pet e saiba como garantir a segurança alimentar do seu cão.

Escrito por:

Photo of Patricia Hoffmann, the author of the blog.

Patricia Hoffmann

Sou apaixonada por cães e tutora da Magali e do Tuta. Compartilho conhecimento científico para que você possa cuidar ainda melhor do seu pet!