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Cachorro engasgado com um tutor tentando remover um objeto da sua boca em uma situação de emergência.

/ 13 minutos de leitura

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Cachorro engasgado, o que fazer?

Ver um cachorro engasgado é uma das situações mais desesperadoras que um tutor pode enfrentar. Aquele momento de pânico, o som da tosse sufocada, a falta de ar… É um cenário que, infelizmente, muitos de nós já vivenciamos ou tememos vivenciar. Eu mesma, com meus mais de 10 anos dedicados a entender e cuidar desses seres maravilhosos, já passei por isso com um dos meus cães. A sensação de impotência é avassaladora, mas o conhecimento certo pode ser a diferença entre um grande susto e uma tragédia.

Minha missão aqui é justamente essa: capacitar você, tutor, a agir com rapidez e eficácia. Não se trata apenas de saber a técnica de primeiros socorros, mas de entender a prevenção, reconhecer os sinais e, acima de tudo, manter a calma. Cães, por natureza, exploram o mundo com a boca. Isso os torna mais suscetíveis a engasgos, seja por comida, brinquedos ou objetos curiosos que encontram pelo caminho. Vamos mergulhar fundo neste tema crucial para a segurança e bem-estar dos nossos amigos de quatro patas.

Reconhecendo os sinais de um cachorro engasgado: cada segundo importa

Identificar rapidamente que seu cachorro engasgado é o primeiro passo para salvá-lo. Muitas vezes, os sinais podem ser sutis no início e evoluir rapidamente. É fundamental estar atento a qualquer mudança no comportamento ou na respiração do seu animal.

Sinais visíveis e audíveis de engasgo

Quando um cão está engasgado, ele não consegue respirar normalmente. Os sinais podem variar dependendo do grau de obstrução, mas alguns são bastante característicos:

  • Tosse intensa e persistente: Ele pode tentar expelir o objeto com força.
  • Dificuldade para respirar: Respiração ofegante, ruidosa ou ausente.
  • Esforço para engolir: Movimentos repetitivos da língua e da garganta.
  • Pata na boca/focinho: O cão pode tentar remover o objeto com as patas.
  • Salivação excessiva: A dificuldade de engolir a saliva leva ao acúmulo.
  • Gengivas azuladas (cianose): Um sinal grave de falta de oxigênio, indicando que a situação é crítica.
  • Perda de consciência: Nos casos mais severos, o cão pode desmaiar devido à privação de oxigênio.

Lembro-me de uma vez em que a Magali, minha beagle curiosa, tentou engolir um pedaço grande de osso e começou a tossir desesperadamente. Eu vi o pânico nos olhos dela e soube que precisava agir rápido. Por sorte, o osso não estava completamente obstruindo, e ela conseguiu expeli-lo sozinha após alguns segundos de tosse intensa. Mas essa experiência reforçou para mim a importância de saber exatamente o que fazer.

Diferenciando engasgo de tosse comum ou vômito

É importante não confundir um engasgo real com uma tosse comum, um engasgo leve que o cão resolve sozinho, ou mesmo uma tentativa de vômito. Cães tossem por diversas razões, desde irritações leves na garganta até condições mais sérias como tosse dos canis. Vomitar também é um processo distinto, embora possa haver sobreposição de sons.

A principal diferença é a eficácia da tosse. Se a tosse do seu cão é forte e produtiva (ele está expelindo algo ou parece que vai), pode não ser um engasgo completo. Se a tosse é fraca, silenciosa, ou se ele está claramente sem conseguir respirar, então a situação é de emergência. Em caso de dúvida, sempre presuma o pior e esteja pronto para agir.

Primeiros socorros para um cachorro engasgado: passo a passo

Agir rapidamente e com calma é crucial. Se você suspeita que seu cachorro engasgado, siga estes passos. Lembre-se, o objetivo é remover a obstrução o mais rápido possível.

Avalie a situação e tente remover o objeto manualmente

  1. Mantenha a calma: Seu nervosismo pode assustar ainda mais o cão, dificultando a intervenção.
  2. Abra a boca do cão: Com cuidado, segure a mandíbula superior e inferior. Olhe dentro da boca e na garganta. Peça ajuda se o cão estiver muito agitado ou mordendo.
  3. Procure o objeto: Se você conseguir ver o objeto e ele estiver acessível, tente removê-lo com os dedos (cuidado para não empurrá-lo mais para dentro) ou com uma pinça longa (como as de churrasco, mas com muito cuidado para não machucar o tecido mole da garganta).
    • Cuidado com mordidas: Um cão em pânico pode morder. Se ele estiver muito agitado, envolva-o em uma toalha ou cobertor, deixando apenas a cabeça livre, se possível. Se não conseguir abrir a boca com segurança, não force – passe para o próximo passo.

Manobra de Heimlich adaptada para cães

Se você não conseguiu remover o objeto manualmente ou não consegue vê-lo, é hora de aplicar a manobra de Heimlich adaptada. Esta técnica é um salva-vidas e deve ser feita com firmeza, mas sem causar mais danos.

Para cães pequenos ou médios

  1. Posição: Levante o cão e segure-o de forma que as patas traseiras fiquem para cima e as patas dianteiras para baixo. A gravidade pode ajudar a desalojar o objeto.
  2. Compressões no abdômen: Coloque uma mão no abdômen, logo abaixo das costelas e faça 3-5 compressões rápidas e firmes, empurrando para cima e para frente. O movimento é similar ao da manobra em humanos, mas adaptado à anatomia canina.
  3. Verifique a boca: Após as compressões, verifique a boca do cão novamente para ver se o objeto foi desalojado.

Para cães grandes

  1. Posição: Se o cão estiver em pé, posicione-se atrás dele. Se ele estiver deitado, vire-o de lado.
  2. Ponto de compressão: Encontre o ponto macio logo abaixo das costelas, onde o abdômen começa.
  3. Compressões no abdômen: Faça 3-5 compressões rápidas e firmes para cima e para frente, usando as duas mãos, como se estivesse abraçando o cão por trás e puxando-o para cima. O movimento deve ser como um “J” invertido.
  4. Verifique a boca: Após as compressões, inspecione a boca para remover o objeto se ele tiver sido expelido.

Tapotagem (golpes nas costas)

Se a manobra de Heimlich não funcionar, ou se você se sentir inseguro para realizá-la, tente a tapotagem. Esta técnica pode ser usada em conjunto com a Heimlich ou como alternativa.

  1. Posição: Segure o cão de forma que a cabeça fique mais baixa que o corpo. Em cães grandes, você pode colocá-lo de lado.
  2. Golpes: Com a palma da mão aberta, dê 3-5 golpes firmes e rápidos entre as omoplatas do cão. O objetivo é criar uma vibração que ajude a desalojar o objeto.
  3. Verifique a boca: Após os golpes, sempre verifique a boca para remover o objeto.

O que fazer se o cachorro desmaiar?

Se o seu cão desmaiar devido à falta de oxigênio, deite-o de lado, puxe a língua para fora para garantir que não está obstruindo a passagem de ar e verifique se o objeto está visível e pode ser removido. Se não houver respiração, você pode tentar iniciar a respiração boca a focinho enquanto se dirige ao veterinário. Mas, a prioridade é sempre remover a obstrução.

Lembro-me de um caso com o Tuta, meu golden retriever. Ele é um comilão nato e uma vez, de um jeito muito rápido, tentou engolir um pedaço de pão muito grande. Eu ouvi um barulho estranho, e quando olhei, ele estava fazendo uns movimentos estranhos com a cabeça. Agi por instinto, abri a boca dele e consegui ver o pedaço de pão. Com a ponta dos dedos, puxei. Foi um alívio imenso! Mas essa experiência me deixou ainda mais atenta à mastigação dele.

Após o engasgo: a importância da avaliação veterinária

Mesmo que você consiga remover o objeto e seu cão pareça estar bem, uma visita ao veterinário é fundamental. Não subestime a importância dessa avaliação.

Possíveis complicações e sinais de alerta

O engasgo pode causar danos internos, mesmo que não aparentes. O objeto pode ter arranhado a garganta, o esôfago ou até mesmo causado um trauma nos pulmões se ele aspirou algo. Além disso, as manobras que você realizou, embora salvadoras, podem ter causado algum desconforto ou lesão.

Fique atento a estes sinais após um episódio de engasgo:

  • Tosse persistente: Pode indicar irritação na traqueia ou presença de um pequeno fragmento.
  • Dificuldade para engolir: Dor ou lesão no esôfago.
  • Vômitos ou regurgitação: Sinais de irritação gástrica ou esofágica.
  • Letargia ou apatia: O cão pode estar sentindo dor ou se recuperando do trauma.
  • Mudanças na respiração: Sons estranhos ao respirar, respiração ofegante.
  • Perda de apetite: Pode indicar dor ou desconforto.

Se o seu cão apresentar qualquer um desses sintomas, procure o veterinário imediatamente. Ele poderá fazer um exame completo, que pode incluir radiografias ou endoscopia para verificar se há lesões ou se algum fragmento do objeto ainda está presente.

Quando procurar um veterinário imediatamente

  • Se o objeto não for removido e o cão continuar engasgado.
  • Se o cão desmaiar ou parar de respirar.
  • Se, após a remoção, o cão apresentar qualquer dificuldade respiratória, tosse persistente, dor ou sangramento.
  • Se você tiver qualquer dúvida sobre o estado de saúde do seu cão.

Lembre-se, mesmo que o engasgo pareça ter sido resolvido, é sempre melhor pecar pelo excesso de cautela. Uma consulta veterinária pode prevenir complicações sérias e garantir a recuperação completa do seu amigo.

Prevenção é a chave: evitando futuros engasgos

Como diz o ditado, é melhor prevenir do que remediar. E no caso de um cachorro engasgado, essa máxima é ainda mais verdadeira. Implementar algumas medidas simples pode reduzir drasticamente o risco de seu cão passar por essa situação assustadora.

Escolha de brinquedos e alimentação segura

  • Brinquedos apropriados: Opte por brinquedos resistentes, de tamanho adequado para a boca do seu cão e que não se desfaçam facilmente em pedaços pequenos. Evite brinquedos com partes soltas ou que possam ser engolidos. Eu sempre verifico se o brinquedo é “à prova de Magali”, porque ela adora destruir tudo!
  • Alimentação supervisionada: Ofereça alimentos em pedaços adequados ao tamanho do seu cão. Se ele come muito rápido, use comedouros lentos ou divida a refeição em porções menores. Evite dar ossos cozidos (eles lascam) ou pedaços de ossos muito pequenos.
  • Supervisão durante as refeições: Esteja presente enquanto seu cão come, especialmente se ele for um comedor voraz.

Atenção ao ambiente doméstico e externo

  • Objetos pequenos: Mantenha objetos pequenos, como moedas, botões, pedras, brinquedos infantis e joias, fora do alcance do seu cão. Eles são curiosos e podem tentar engolir qualquer coisa.
  • Lixo e cestos: Mantenha as lixeiras bem fechadas ou em locais inacessíveis. Restos de comida, embalagens plásticas e outros itens no lixo são um perigo.
  • Plantas tóxicas e objetos do jardim: Alguns cães mastigam plantas. Certifique-se de que não há plantas tóxicas no seu jardim e remova galhos ou pedras grandes que possam ser tentadores.
  • Caminhadas supervisionadas: Durante os passeios, fique atento ao que seu cão cheira e tenta pegar. Evite que ele coma coisas do chão, especialmente em áreas onde há muito lixo ou detritos.

Treinamento e comportamento

  • Treine o comando “solta” ou “larga”: Este comando pode ser um salva-vidas. Ensine seu cão a soltar qualquer objeto que ele tenha na boca, seja um brinquedo ou algo que ele pegou do chão. Com o Tuta, que é um pouco mais teimoso, esse comando foi essencial.
  • Enriquecimento ambiental: Ofereça brinquedos e atividades que estimulem a mente do seu cão, reduzindo o tédio e a probabilidade de ele procurar objetos inadequados para mastigar.

Mitos e verdades sobre engasgos em cães

Existem muitas informações, nem sempre corretas, circulando por aí. É importante desmistificar algumas delas para que você possa agir com conhecimento e segurança caso seu cachorro engasgado.

O que não fazer em caso de engasgo

  • Não entre em pânico: O pânico só vai dificultar sua capacidade de pensar e agir. Respire fundo e tente manter a calma.
  • Não empurre o objeto mais para dentro: Se você tentar remover um objeto com os dedos e ele estiver muito fundo, há o risco de empurrá-lo ainda mais para dentro, agravando a obstrução.
  • Não tente dar água ou comida: Isso pode fazer com que o objeto seja empurrado para dentro ou causar aspiração, piorando a situação.
  • Não bata nas costas do cão sem técnica: Golpes aleatórios e sem a postura correta podem não ser eficazes e até mesmo causar lesões.

Boatos e informações incorretas

  • “Cães sempre conseguem resolver um engasgo sozinhos”: Infelizmente, isso não é verdade. Muitos engasgos são leves e o cão consegue tossir e remover o objeto, mas engasgos completos são emergências que exigem intervenção humana.
  • “É só dar um pedaço de pão para ajudar a descer”: Pelo contrário. Dar comida ou água pode agravar a obstrução e causar aspiração de líquidos para os pulmões.
  • “A manobra de Heimlich é muito perigosa para cães”: Embora deva ser feita com cuidado, a manobra de Heimlich, quando aplicada corretamente, é uma técnica de salvamento que pode ser a única opção para um cão com obstrução total das vias aéreas. O risco de não fazer nada é muito maior.

Eu sempre digo que o conhecimento é a nossa maior ferramenta. Entender o que é verdade e o que é mito nos permite agir de forma mais segura e eficaz, protegendo nossos companheiros caninos de perigos desnecessários.

Conclusão: esteja preparado para agir

Ver um cachorro engasgado é uma das experiências mais angustiantes que um tutor pode ter. No entanto, estar preparado e saber exatamente o que fazer pode significar a diferença entre um final feliz e uma tragédia. Minha jornada de mais de uma década ao lado de cães como a Magali e o Tuta me ensinou que a prevenção é a melhor estratégia, mas a prontidão para agir é igualmente vital.

Lembre-se dos sinais de engasgo, aprenda as técnicas de primeiros socorros – como a manobra de Heimlich adaptada – e, acima de tudo, mantenha a calma. A sua serenidade é o primeiro passo para ajudar seu cão. E nunca, jamais, hesite em procurar um veterinário, mesmo que o engasgo pareça ter sido resolvido. Uma avaliação profissional após o incidente pode identificar e prevenir complicações futuras.

Invista na segurança do seu lar, escolha brinquedos e alimentos adequados e ensine comandos importantes. Cada ação preventiva e cada segundo de conhecimento podem salvar uma vida. Cuide bem do seu melhor amigo, pois ele confia em você para protegê-lo em todos os momentos.

Perguntas Frequentes

Como saber se meu cachorro está engasgado ou apenas tossindo?

A principal diferença é a eficácia da tosse. Se seu cão está tossindo intensamente mas parece conseguir respirar e expelir algo, pode ser uma tosse comum. Se a tosse é fraca, ruidosa, ou se ele está claramente sem ar, com as gengivas azuladas ou tentando desesperadamente alcançar a boca com as patas, é um engasgo grave e requer ação imediata.

Devo tentar a manobra de Heimlich em meu cachorro?

Sim, a manobra de Heimlich adaptada para cães é uma técnica de salvamento crucial em casos de engasgo completo. Se você não conseguir remover o objeto manualmente e o cão não conseguir respirar, esta manobra pode ser a única forma de salvar a vida dele. É importante aprender a técnica correta para realizá-la com segurança.

O que fazer se o objeto estiver muito fundo e eu não conseguir alcançá-lo?

Se você não conseguir ver ou alcançar o objeto com segurança, não tente empurrá-lo mais para dentro. Nesses casos, a manobra de Heimlich adaptada para cães é a próxima etapa. Se mesmo após a manobra o objeto não for expelido, leve seu cão imediatamente a um veterinário.

Quais objetos são mais perigosos para meu cachorro engasgar?

Qualquer objeto pequeno o suficiente para ser engolido, mas grande o bastante para obstruir a garganta, é perigoso. Isso inclui ossos cozidos (que lascam), pedaços de brinquedos, pedras, moedas, pequenos brinquedos infantis, caroços de frutas e até pedaços grandes de alimentos não mastigados adequadamente.

Meu cachorro engasgou e agora está tossindo, devo me preocupar?

Sim, mesmo que o objeto tenha sido removido e o cachorro pareça estar melhor, a tosse persistente após um engasgo pode indicar irritação na traqueia, presença de um pequeno fragmento ou até mesmo aspiração de líquidos. É fundamental procurar um veterinário para uma avaliação completa e descartar possíveis complicações.

Como posso prevenir que meu cachorro engasgue no futuro?

A prevenção é essencial. Escolha brinquedos de tamanho e resistência adequados, supervisione as refeições e use comedouros lentos se seu cão come muito rápido. Mantenha objetos pequenos e perigosos fora do alcance, e treine comandos como ‘solta’ ou ‘larga’. Fique atento ao ambiente doméstico e externo.

Fontes e Referências

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Escrito por:

Photo of Patricia Hoffmann, the author of the blog.

Patricia Hoffmann

Sou apaixonada por cães e tutora da Magali e do Tuta. Compartilho conhecimento científico para que você possa cuidar ainda melhor do seu pet!