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Cachorro da raça beagle com expressão de desconforto gástrico, deitado em uma cama macia, com uma pessoa acariciando-o.

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Cachorro com problema no estômago, o que fazer?

Ver um cachorro com problema no estômago é uma das coisas que mais parte o coração de um tutor. Aquela carinha de desconforto, a falta de apetite, talvez até vômitos ou diarreia… Quem tem um companheiro de quatro patas sabe bem a angústia que é presenciar isso. Eu, Patricia, com mais de dez anos de experiência dedicados à saúde e bem-estar canino, e como tutora da Magali e do Tuta, entendo perfeitamente essa preocupação. É nessas horas que precisamos agir com calma, mas com a informação certa em mãos.

Neste artigo, vamos desvendar os mistérios por trás dos problemas estomacais em cães, desde as causas mais comuns até as medidas de primeiros socorros que você pode aplicar em casa. Meu objetivo é te dar o conhecimento e a segurança para identificar os sinais, entender a gravidade da situação e saber exatamente quando é hora de procurar ajuda profissional. Afinal, um tutor bem informado é o maior aliado na recuperação de um peludo, e a saúde digestiva é fundamental para a qualidade de vida deles.

Entendendo os sinais de um cachorro com problema no estômago

Identificar os sintomas precocemente é crucial. Nossos cães não falam, então dependemos da observação atenta do seu comportamento e das mudanças físicas. Um cachorro com problema no estômago pode apresentar uma série de sinais, alguns mais óbvios que outros. É importante estar atenta a qualquer alteração na rotina ou no estado geral do seu pet.

Sinais digestivos comuns

  • Vômito: Pode ser esporádico ou frequente, com ou sem a presença de alimento. A cor e a consistência também dão pistas. Vômitos persistentes são sempre motivo de alerta.
  • Diarreia: Fezes moles ou líquidas, que podem variar de cor e conter muco ou sangue. A frequência e a urgência para defecar também são importantes indicadores.
  • Perda de apetite (anorexia): Seu cão que normalmente devora a ração, de repente, recusa a comida. Isso pode ser um sinal de desconforto gástrico.
  • Dor abdominal: O cão pode se encolher, gemer ao ser tocado na barriga, ou adotar uma postura de “prece” (com as patas dianteiras esticadas e o traseiro elevado), indicando dor abdominal.
  • Gases e inchaço: Barriga inchada e ruídos intestinais excessivos podem indicar acúmulo de gases ou outros problemas digestivos.
  • Lambedura excessiva dos lábios ou patas: Esse comportamento pode ser uma tentativa do cão de aliviar náuseas ou desconforto.

Outros sintomas associados

Além dos sinais digestivos, um cachorro com problema no estômago pode apresentar outros sintomas que indicam que algo não está bem:

  • Letargia e fraqueza: O cão parece sem energia, mais quieto que o normal, e pode ter dificuldade para se levantar ou andar.
  • Febre: A elevação da temperatura corporal pode indicar uma infecção ou inflamação. É importante ter um termômetro retal em casa.
  • Desidratação: Vômitos e diarreia levam rapidamente à desidratação. Observe gengivas secas e pegajosas, e a pele que demora a voltar ao normal quando puxada levemente.
  • Mudanças de comportamento: Irritabilidade, apatia ou até agressividade podem ser reflexo de dor e desconforto.

Lembro-me de uma vez em que a Magali, minha beagle, ficou estranha e não quis comer o sachê que ela tanto ama. Fiquei atenta, e logo percebi que ela estava lambendo os lábios sem parar, um sinal sutil de náusea. A observação foi fundamental para agirmos rápido.

Causas comuns de problemas estomacais em cães

Os problemas no estômago dos cães podem ter diversas origens, desde algo simples como comer algo inadequado até condições de saúde mais sérias. Conhecer as causas mais comuns nos ajuda a prevenir e a agir de forma mais assertiva.

Erros alimentares e indiscreções dietéticas

Essa é, sem dúvida, a causa mais frequente que vejo na minha rotina. Cães são curiosos por natureza e, muitas vezes, não resistem a uma “prova” de algo que não deveriam comer. Minha experiência me mostra que a maioria dos problemas começa com:

  • Ingestão de lixo ou alimentos estragados: Restos de comida na rua, lixo doméstico, ou alimentos vencidos podem conter bactérias e toxinas.
  • Mudança brusca na dieta: Trocar a ração de forma repentina, sem um período de transição gradual, pode desequilibrar a flora intestinal.
  • Alimentos humanos inadequados: Chocolates, uvas, cebola, alho, alimentos gordurosos ou temperados são tóxicos ou causam indigestão severa.
  • Plantas tóxicas: Algumas plantas comuns em jardins e casas são venenosas para cães e podem causar irritação gástrica.

Infecções e parasitas

Outra categoria importante de causas são as infecções, sejam elas bacterianas, virais ou parasitárias. Elas podem ser bastante sérias, especialmente em filhotes ou cães idosos.

  • Infecções bacterianas: Como Salmonella ou E. coli, frequentemente adquiridas pela ingestão de alimentos contaminados ou água suja.
  • Infecções virais: Parvovirose e Cinomose são exemplos de vírus que causam problemas gastrointestinais graves, especialmente em filhotes não vacinados.
  • Parasitas intestinais: Vermes (lombrigas, ancilostomídeos, giárdia) e protozoários (coccidiose) são muito comuns e causam diarreia, vômito e perda de peso. A vermifugação regular é essencial para prevenir isso.

Condições médicas subjacentes

Em alguns casos, o problema estomacal é um sintoma de uma condição de saúde mais complexa. É por isso que a avaliação veterinária é indispensável.

  • Pancreatite: Inflamação do pâncreas, muitas vezes desencadeada por dietas ricas em gordura, causando vômitos intensos, dor abdominal e letargia.
  • Doença inflamatória intestinal (DII): Uma condição crônica que causa inflamação do trato gastrointestinal, levando a vômitos e diarreia recorrentes.
  • Corpos estranhos: Objetos que o cão engoliu (brinquedos, ossos, pedras) podem causar obstrução ou irritação no estômago ou intestino.
  • Úlceras gástricas: Feridas na parede do estômago, que podem ser causadas por medicamentos, estresse ou outras doenças.
  • Tumores: Em cães mais velhos, tumores no trato gastrointestinal podem causar sintomas semelhantes.
  • Problemas renais ou hepáticos: Doenças em outros órgãos podem ter manifestações gastrointestinais como vômito e náusea.

Medidas de suporte e primeiros socorros para um cachorro com problema no estômago

Quando você percebe que seu cachorro não está bem do estômago, as primeiras horas são cruciais. Existem algumas ações que você pode tomar em casa para oferecer suporte, mas sempre com a consciência de que a intervenção profissional pode ser necessária. O mais importante é não medicar seu cão sem orientação e observar atentamente.

Jejum temporário

Para cães adultos que estejam vomitando ou com diarreia leve, um jejum temporário pode ser recomendado. Isso dá ao sistema digestivo uma chance de descansar e se recuperar. Eu geralmente recomendo:

  • Água: Mantenha sempre água fresca e limpa disponível. A hidratação é vital, especialmente se o cão estiver vomitando ou com diarreia.
  • Duração: Para a maioria dos cães adultos, um jejum de 12 a 24 horas de alimento pode ser útil. Para filhotes ou cães muito pequenos, o jejum deve ser mais curto (6-8 horas) e feito com cautela, pois eles desidratam mais rapidamente.
  • Nunca force o jejum: Se o cão estiver muito fraco, letárgico ou vomitando intensamente, não inicie o jejum sem falar com um veterinário. Nesses casos, a prioridade é reidratar e nutrir.

Ofereça pequenas quantidades de água e eletrólitos

Após um período de jejum, é importante reintroduzir líquidos gradualmente. Se o cão estiver vomitando muito, oferecer água em pequenas quantidades e mais frequentemente pode ajudar a evitar novos vômitos.

  • Gelo: Oferecer cubos de gelo para lamber pode ser uma forma de hidratar sem sobrecarregar o estômago.
  • Água de coco: Em pequenas quantidades, a água de coco natural (sem açúcar ou aditivos) pode ajudar a repor eletrólitos. Converse com o seu veterinário antes de oferecer.
  • Soluções eletrolíticas: Existem soluções eletrolíticas específicas para cães que podem ser úteis. Nunca use soluções para humanos sem orientação, pois a concentração de sódio pode ser inadequada.

Dieta branda após o jejum

Após o jejum, a reintrodução da alimentação deve ser muito suave. A dieta branda é fundamental para não irritar ainda mais o estômago.

  • Arroz branco cozido: Cozinhe o arroz em bastante água até ficar bem mole. Não adicione sal ou temperos.
  • Frango cozido desfiado: Peito de frango cozido apenas em água, sem pele ou ossos, bem desfiado. É uma fonte de proteína de fácil digestão.
  • Proporção: Comece com uma proporção de 2/3 de arroz para 1/3 de frango. Misture bem.
  • Pequenas porções: Ofereça pequenas quantidades várias vezes ao dia (3-4 vezes) em vez de uma grande refeição. Aumente a quantidade gradualmente ao longo de 2-3 dias, conforme o cão melhora.
  • Ração gastrointestinal: Seu veterinário pode recomendar uma ração terapêutica específica para problemas gastrointestinais, que é formulada para ser altamente digestível.

Eu sempre uso essa dieta de arroz e frango quando o Tuta, meu golden retriever, tem algum desarranjo. É impressionante como o estômago dele se acalma rapidamente com essa alimentação suave.

Quando procurar um veterinário imediatamente

Embora algumas situações possam ser manejadas em casa com as medidas de suporte que mencionei, há casos em que a ida ao veterinário é inadiável. Ignorar esses sinais de alerta pode colocar a vida do seu cão em risco. Sempre prefira pecar pelo excesso de cautela.

Sinais de emergência

  • Vômito ou diarreia persistentes: Se seu cão vomita ou tem diarreia por mais de 24 horas, ou se os episódios são muito frequentes (a cada hora, por exemplo).
  • Sangue no vômito ou nas fezes: Qualquer sinal de sangue (vermelho vivo ou escuro, como borra de café, no vômito, ou fezes escuras e pegajosas como alcatrão).
  • Dor abdominal intensa: Se o cão chora de dor, não permite ser tocado na barriga, ou adota a postura de “prece” de forma contínua.
  • Inchaço abdominal e tentativas de vomitar sem sucesso: Isso pode indicar torção gástrica, uma emergência veterinária gravíssima.
  • Letargia severa e fraqueza: Se o cão não consegue se levantar, está muito apático ou desorientado.
  • Desidratação avançada: Gengivas muito secas, olhos fundos e perda de elasticidade da pele.
  • Ingestão de substâncias tóxicas ou objetos estranhos: Se você suspeita que seu cão comeu algo perigoso.
  • Febre alta: Temperatura retal acima de 39,5°C.

Lembre-se, a saúde do seu pet é prioridade. Em caso de dúvida, sempre consulte um profissional. Um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença na recuperação do seu amigo de quatro patas.

Prevenção: Mantendo o estômago do seu cão saudável

Prevenir é sempre o melhor remédio. Adotar algumas práticas simples no dia a dia pode reduzir significativamente as chances de seu cão ter problemas estomacais. Minha experiência me ensinou que a consistência e a atenção aos detalhes são chaves para a saúde digestiva.

Alimentação adequada e controlada

  • Ração de qualidade: Escolha uma ração de boa qualidade, adequada à idade, porte e nível de atividade do seu cão. Consulte o veterinário para a melhor opção.
  • Transição gradual: Ao trocar a ração, faça-o de forma gradual, misturando a nova com a antiga por 7 a 10 dias, aumentando a proporção da nova a cada dia.
  • Evite alimentos humanos: Muitos alimentos que comemos são prejudiciais aos cães. Mantenha-os longe de chocolates, uvas, cebola, alho, alimentos gordurosos e temperados.
  • Porções controladas: Siga as recomendações do fabricante da ração e do veterinário para a quantidade diária. Evite superalimentar.
  • Acesso restrito ao lixo: Mantenha o lixo bem fechado e fora do alcance do seu cão.

Higiene e controle de parasitas

  • Água fresca e limpa: Troque a água do bebedouro várias vezes ao dia e lave o recipiente regularmente.
  • Vermifugação regular: Siga o calendário de vermifugação recomendado pelo veterinário para prevenir infestações por vermes e protozoários.
  • Vacinação em dia: Mantenha as vacinas do seu cão atualizadas, especialmente contra parvovirose e cinomose, que causam problemas gastrointestinais graves.

Exercício e redução de estresse

  • Exercício regular: A atividade física ajuda a manter o sistema digestório funcionando bem e reduz o estresse.
  • Ambiente tranquilo: Cães estressados podem desenvolver problemas gastrointestinais. Garanta um ambiente calmo e seguro para seu pet.

Ao seguir essas dicas, você estará contribuindo para a saúde e o bem-estar do seu cão, garantindo que ele tenha uma vida longa e feliz, com um estômago feliz!

Conclusão

Entender e saber como agir diante de um cachorro com problema no estômago é uma habilidade essencial para qualquer tutor. Desde a identificação dos sinais sutis até a aplicação de medidas de primeiros socorros e, crucialmente, saber quando buscar ajuda veterinária, cada passo conta. A saúde digestiva é um pilar fundamental para a qualidade de vida dos nossos amigos de quatro patas, e a prevenção, através de uma alimentação adequada, higiene e cuidados regulares, é sempre o melhor caminho.

Minha jornada com a Magali e o Tuta me ensinou que a observação atenta e a proatividade são os maiores aliados. Espero que este artigo tenha te fornecido o conhecimento e a confiança necessários para cuidar ainda melhor do seu companheiro. Lembre-se, você é a voz do seu pet, e um tutor bem informado é o maior defensor da saúde dele. Cuidar do estômago do seu cão é cuidar do seu bem-estar geral, garantindo muitos anos de alegria e companheirismo.

Perguntas Frequentes

O que dar para cachorro com dor de estômago?

Para dor de estômago leve, após jejum de 12-24h, ofereça uma dieta branda de arroz branco cozido e frango cozido desfiado em pequenas porções. Mantenha água fresca disponível. Nunca medique seu cão sem orientação veterinária, pois medicamentos para humanos podem ser tóxicos e agravar a situação. Se a dor persistir ou piorar, procure um veterinário.

Qual o melhor remédio caseiro para cachorro com dor de barriga?

Não existe um ‘melhor remédio caseiro’ universal e seguro para dor de barriga em cães. A melhor abordagem inicial é o jejum alimentar de 12-24 horas (com água disponível), seguido de uma dieta branda de arroz e frango. Chás como camomila podem ser usados com moderação e sob orientação, mas a automedicação é perigosa. Sempre consulte um veterinário para um diagnóstico e tratamento adequados.

Como saber se meu cachorro está com dor no estômago?

Você pode notar sinais como vômito, diarreia, perda de apetite, lambedura excessiva dos lábios ou patas, gemidos, postura encolhida ou de ‘prece’ (patas dianteiras esticadas, traseiro elevado), letargia e sensibilidade ao toque na região abdominal. Observe qualquer mudança de comportamento e procure um veterinário se os sintomas persistirem ou forem graves.

Quando devo me preocupar com o vômito do meu cachorro?

Preocupe-se e procure um veterinário imediatamente se o vômito for persistente (mais de 24 horas ou muito frequente), se contiver sangue (vermelho vivo ou escuro como borra de café), se o cão estiver letárgico, com dor abdominal intensa, inchaço na barriga, ou tentando vomitar sem conseguir (sinal de torção gástrica). Filhotes e cães idosos também requerem atenção mais rápida.

O que fazer se o cachorro comer algo que não devia?

Depende do que ele comeu. Se for algo tóxico (chocolate, veneno, medicamentos humanos), procure um veterinário imediatamente. Não tente induzir o vômito sem orientação profissional. Se for algo indigesto, mas não tóxico (como um pedaço de osso ou lixo), observe seu cão de perto. O jejum temporário e a dieta branda podem ajudar, mas fique atento a vômitos persistentes, dor, letargia ou dificuldade para defecar, que indicam a necessidade de atendimento veterinário.

Probióticos podem ajudar um cachorro com problema no estômago?

Sim, probióticos específicos para cães podem ser muito úteis para restaurar o equilíbrio da flora intestinal após um problema estomacal ou durante o tratamento. Eles ajudam a melhorar a digestão e a absorção de nutrientes. No entanto, devem ser administrados sob orientação do veterinário, que indicará o tipo e a dosagem corretos para a condição específica do seu cão.

Fontes e Referências

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Escrito por:

Photo of Patricia Hoffmann, the author of the blog.

Patricia Hoffmann

Sou apaixonada por cães e tutora da Magali e do Tuta. Compartilho conhecimento científico para que você possa cuidar ainda melhor do seu pet!